<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="1252"%> Nossa Cidade
NOSSA CIDADE
THORTON WILDER

Ato II – George e Emily

George, também carregando livros, a alcança.

GEORGE - Quer que eu carregue seus livros, Emily?

EMILY – (friamente) Obrigada. (entrega-lhe os livros)

GEORGE – Espere um pouquinho, Emily. Escute, Bob, apronte tudo que estarei lá num quarto de hora. Se eu me atrasar, treinem um pouco. E atire alglumas bolas altas para o Herb. Ele precisa de treino. Até mais logo.

EMILY – Adeus, Lizzy.

GEORGE – Adeus, Lizzy. – Fico muito satisfeito por você também ter sido eleita, Emily.

EMILY – Obrigada.

(Estiveram parados na Main Street, quase contra a parede do fundo, George está prestes a dar alguns passos na direção da platéia quando pára.)

GEORGE – Emily, por que você está zangada comigo?

EMILY – Não estou zangada com você.

GEORGE - Você... você me trata de um modo tão esquisito.

EMILY – Bom, acho melhor dizer, George. Não gosto dessa mudança que se operou em você nesse último ano.
Sinto muito se isso o vai magoar. Mas decidi lhe dizer a verdade seja lá como for.

GEORGE – Não entendo, Emily. Q-q-que é que você quer dizer?

EMILY – George, há um ano eu gostava muito de você. Sempre acompanhei tudo o que você fazia... porque, afinal, éramos amigos há tanto tempo... Mas aí você começou a se importar só com o beisebol.... e não falou mais com ninguém, nem mesmo com sua família... e, George, de fato, você ficou terrivelmente convencido e presunçoso, é o que todas as meninas dizem. Elas nunca diriam isso na sua cara, mas é o que dizem pelas costas, e isso me dói, mas sou obrigada a achar que elas têm razão. Sinto muito se isto o magoa... mas não me arrependo de tê-lo dito.

GEORGE – Eu... foi bom você ter dito, Emily. Nunca imaginei que isto estivesse acontecendo comigo. É difícil um camarada não ter defeito nenhum. ( Os dois dão alguns passos, em silêncio, ainda constristados)

EMILY – Eu sempre achei que um homem pode ser perfeito, acho que isso é possível.

GEORGE – Oh... não creio que seja possível ser perfeito, Emily.

EMILY – Bem, meu pai é, e o seu, pelo que eu sei, também é. Não existe razão pela qual você também não possa ser.

GEORGE – Pois eu... encaro isso de outro modo. Os homens não são naturalmente bons; mas as mulheres, sim. Como você, sua mãe e minha mãe.

EMILY – Você sabe muito bem que eu não sou perfeita. Não é muito fácil para uma mulher ser perfeita como um homem, porque nós, mulheres, somos... mais nervosas. – Sinto ter dito aquilo a seu respeito. Não sei o que me fez falar.

GEORGE – Não, não, eu acho que, se é verdade, você fez bem em me dizer. Faça sempre isso, Emily.

EMILY – Não sei se é verdade ou não. E senti de repente que não é tão importante assim.

GEORGE – Emily, quer tomar um sorvete com soda limodada ou qualquer coisa, antes de ir para casa?

EMILY – Obrigada... aceito. (Entram na sorveteria e sentam-se nos bancos.)

<FIM DA CENA>